Colheita do milho entra na reta final em Mato Grosso com produtividade recorde e produção acima de 57 milhões de toneladas

Levantamento do Imea aponta que cerca de 80% da segunda safra já foi colhida. Estado registra novo recorde de produtividade, revisa para cima o Valor Bruto da Produção e reduz parte dos custos para a próxima temporada.
A colheita da segunda safra de milho 2025/26 em Mato Grosso entrou na fase decisiva e deve ser concluída entre a primeira e a segunda semana de agosto, caso o ritmo dos trabalhos seja mantido. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), aproximadamente 80% da área cultivada já havia sido colhida até esta semana, mantendo o avanço próximo da média histórica.
De acordo com o coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, Rodrigo Silva, a expectativa é de aceleração dos trabalhos nos próximos dias, consolidando uma das melhores safras já registradas no estado.
Além do avanço da colheita, Mato Grosso também alcançou um novo recorde de produtividade. As avaliações realizadas pelo projeto Imea em Campo, que analisou mais de 800 lavouras distribuídas em 82 municípios, apontam rendimento médio superior a 128,64 sacas por hectare, ultrapassando o recorde da safra anterior, quando a média foi de 127 sacas por hectare.
Com esse desempenho, a produção estadual foi revisada para 57,06 milhões de toneladas, crescimento de 2,92% em comparação com a safra 2024/25. O resultado é atribuído principalmente ao aumento da área cultivada e às condições climáticas favoráveis durante o desenvolvimento das lavouras em grande parte do estado.
O excelente desempenho no campo também refletiu nas projeções econômicas. O Imea elevou a estimativa do Valor Bruto da Produção (VBP) do milho para R$ 42,27 bilhões em 2026, alta de quase 8% em relação ao ano anterior. Com isso, o cereal passa a representar 25,74% dos R$ 164,22 bilhões previstos para toda a produção agrícola mato-grossense.
Mesmo diante da elevada oferta, o instituto destaca que os preços médios projetados para a safra permanecem acima dos registrados na temporada passada, sustentando a valorização da atividade.
Outro fator que contribui para o cenário positivo é a redução de parte dos custos de produção da próxima safra. O levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuária (CPA MT), desenvolvido pelo Imea em parceria com o Senar Mato Grosso, mostra queda de 2,38% nos gastos com fertilizantes e corretivos, que passaram para R$ 1.532,66 por hectare, impulsionada pela normalização da logística internacional e pela retomada das exportações de insumos.
Os custos com defensivos também apresentaram leve recuo, de 0,32%, ficando em R$ 913,04 por hectare. Já as despesas com sementes registraram alta de 0,95%, alcançando R$ 848,78 por hectare, o que limitou uma redução mais expressiva do custeio total, estimado em R$ 3.767,37 por hectare.
Com isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) foi projetado em R$ 5.493,40 por hectare, enquanto o Custo Operacional Total (COT) ficou em R$ 6.057,70 por hectare, ambos com redução próxima de 0,6% em relação ao levantamento anterior.
Segundo os cálculos do Imea, considerando a produtividade média estimada para esta safra, o produtor precisará vender o milho por pelo menos R$ 42,70 por saca para cobrir o COE e R$ 47,09 por saca para cobrir integralmente o COT.
Embora o preço médio projetado para a safra 2026/27 seja de R$ 44,76 por saca, valor suficiente para superar o custo operacional efetivo, ele ainda permanece abaixo do necessário para cobrir todos os custos operacionais da atividade, indicando que a gestão dos custos continuará sendo um fator determinante para a rentabilidade dos produtores.
Fonte: CenárioMT