Mato Grosso vira referência internacional e inspira expansão agrícola na Colômbia

O agronegócio de Mato Grosso voltou a ganhar protagonismo no cenário internacional. Desta vez, o modelo de desenvolvimento agrícola construído ao longo das últimas décadas foi apresentado como referência durante o fórum “Colômbia: uma potência agrícola que alimentará o mundo”, realizado em Bogotá, reunindo autoridades, pesquisadores, produtores rurais e representantes da agroindústria colombiana.
A missão mato-grossense foi liderada pelo superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, que mostrou como o estado conseguiu transformar áreas de Cerrado em uma das regiões agrícolas mais produtivas do planeta, conciliando tecnologia, aumento da produção e preservação ambiental.
A participação reforça o reconhecimento internacional conquistado pelo agro mato-grossense, que frequentemente é citado em debates sobre produção sustentável, logística e expansão agrícola. Outros conteúdos sobre o setor podem ser acompanhados na editoria de Agro do CenárioMT.
Por que a Colômbia olha para Mato Grosso?
O interesse colombiano está concentrado na região da Altillanura, localizada na Orinoquia, considerada uma das maiores fronteiras agrícolas do país. Especialistas apontam que suas características naturais lembram bastante o Cerrado brasileiro antes da grande transformação agrícola ocorrida nas últimas décadas.
Assim como aconteceu em Mato Grosso, a região possui solos ácidos, grandes extensões de terras agricultáveis e necessidade de investimentos em correção do solo, infraestrutura, pesquisa e tecnologia.
Segundo Cleiton Gauer, essas semelhanças despertam o interesse colombiano pelo modelo desenvolvido no estado.
“A Altillanura apresenta características muito próximas das encontradas no Cerrado brasileiro. Mato Grosso conseguiu transformar desafios semelhantes em uma agricultura altamente competitiva, baseada em planejamento, tecnologia, empreendedorismo e segurança jurídica”, destacou.
Estado lidera a produção agrícola brasileira
Durante a apresentação, o representante do Imea mostrou números que ajudam a explicar por que Mato Grosso se tornou uma referência mundial.
O estado lidera a produção brasileira de soja, milho, algodão, gergelim, etanol de milho e possui o maior rebanho bovino do país.
Segundo projeções do Imea para 2026, o Valor Bruto da Produção (VBP) mato-grossense deverá alcançar R$ 208,35 bilhões, consolidando o agro como principal motor da economia estadual.
Na soja, Mato Grosso deverá responder por aproximadamente 28,6% da produção brasileira e cerca de 11,7% da produção mundial na safra 2026/27.
No milho, a liderança também impressiona: o estado concentra aproximadamente 38% da produção nacional e quase metade de toda a segunda safra brasileira.
Produção e preservação caminham juntas
Um dos pontos que mais despertaram interesse dos participantes do fórum foi o modelo de preservação ambiental adotado em Mato Grosso.
Dados apresentados pelo Imea mostram que 60,4% do território estadual permanece coberto por vegetação remanescente.
Desse total, cerca de 40,43% correspondem a áreas preservadas ou protegidas dentro das próprias propriedades rurais, conforme determina a legislação ambiental brasileira.
Segundo Cleiton Gauer, o crescimento do agronegócio mato-grossense ocorreu acompanhado de avanços em tecnologia, manejo sustentável e ganhos de produtividade.
“Hoje aprendemos que não basta produzir mais. É necessário produzir melhor, com eficiência, responsabilidade ambiental e visão de longo prazo”, afirmou.
Desafios ainda aproximam Brasil e Colômbia
Apesar dos avanços obtidos por Mato Grosso, muitos dos desafios enfrentados pelo estado ainda fazem parte da realidade colombiana.
Entre eles estão a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura, melhorar estradas, construir pontes, fortalecer a pesquisa agrícola, ampliar o acesso ao crédito rural e oferecer maior segurança jurídica aos produtores.
Na Colômbia, especialistas também apontam dificuldades relacionadas à disponibilidade de materiais genéticos adaptados ao clima tropical, correção da fertilidade dos solos e conflitos envolvendo a posse da terra.
Segundo Gauer, Mato Grosso também enfrentou boa parte desses obstáculos ao longo de sua história.
“O sucesso da agricultura depende de um conjunto de fatores. Não basta existir terra disponível. É preciso investimento em logística, pesquisa, tecnologia, estabilidade jurídica e ambiente favorável aos negócios”, explicou.
Infraestrutura continua sendo um desafio em Mato Grosso
Mesmo ocupando posição de liderança nacional, Mato Grosso ainda convive com gargalos logísticos importantes.
Durante o fórum, o superintendente destacou que o avanço dos corredores do Arco Norte reduziu parte dos custos de transporte, mas o escoamento da produção continua sendo um dos principais desafios para ampliar a competitividade internacional.
Segundo dados apresentados, mais de 52% das exportações estaduais de grãos já utilizam os portos do Norte do país, resultado de investimentos em logística realizados nos últimos anos.
O tema permanece entre as prioridades para o setor produtivo e acompanha diversos projetos de infraestrutura discutidos em Mato Grosso, incluindo novas ferrovias, rodovias e melhorias logísticas. O CenárioMT acompanha regularmente esses investimentos na editoria de Economia.
Segurança alimentar também entrou na pauta
Outro tema debatido durante o encontro foi a importância da expansão da produção de soja e milho para fortalecer a segurança alimentar da Colômbia.
Hoje o país ainda depende fortemente da importação desses grãos para abastecer cadeias estratégicas como a avicultura, a suinocultura e a produção de proteínas animais.
O desenvolvimento da Altillanura é visto pelas autoridades colombianas como uma oportunidade para reduzir essa dependência externa e ampliar a competitividade do agronegócio local.
Mato Grosso amplia sua influência internacional
A participação da Famato e do Imea reforça o protagonismo que Mato Grosso vem conquistando no cenário agrícola mundial.
Mais do que apresentar números de produção, o estado levou ao debate internacional um modelo baseado em ciência, inovação, empreendedorismo rural e aumento da produtividade.
Ao compartilhar experiências, desafios e soluções adotadas ao longo das últimas décadas, Mato Grosso fortalece sua posição como uma das principais referências da agricultura tropical moderna.
Com o crescimento da demanda global por alimentos, fibras e biocombustíveis, iniciativas como essa tendem a ampliar a cooperação internacional e consolidar ainda mais a imagem do estado como protagonista do agronegócio mundial, tema que continuará no centro das discussões sobre desenvolvimento sustentável, inovação e segurança alimentar nos próximos anos.
Fonte: CenárioMT