Quando a engenharia habita as veias de uma família inteira
Sorriso, MT – Daisson Ronaldo Benetti carregava tijolos aos 12 anos na olaria do pai em Chopinzinho (PR), sonhando com o que ouvia à noite: o universo da construção civil. Hoje, aos 57 anos, ele comanda um parque industrial de 90 mil m² às margens da BR-163, referência nacional em estruturas pré-fabricadas para o agronegócio. A Engedelta Engenharia e Construção, fundada por ele em 1993, nasceu do sonho não realizado de seu Nelson e ganhou vida com lapiseiras de 0,3 mm e canetas nanquim – sem margem para erros.
O primeiro marco veio logo no início: o edifício de oito pavimentos com elevador que mudou o skyline de Chopinzinho, inaugurando a verticalização na cidade paranaense. Na mesma época, Daisson conheceu Heloiza Piassa na faculdade de Engenharia Civil em Joinville (SC). Filha de agricultores, ela trocou Agronomia por Engenharia após testar Arquitetura e descobrir sua afinidade com números. Casaram-se em 1994, ano do nascimento do primogênito Vitor, e Heloiza estagiou na empresa do namorado seis meses antes de se formar.
Em 1997, ela assumiu como professora no Cefet de Pato Branco (hoje UTFPR), percorrendo 80 km diários para sustentar a família enquanto Daisson expandia a Engedelta. Em 1998, ele deixou a prefeitura local para se dedicar 100% ao negócio, que já marcava a paisagem com obras residenciais, comerciais e industriais. Vinicius, o caçula, nasceu em 1999. Dois anos depois, em 2003, veio o pulo do gato: a primeira obra fora do Paraná, uma sementeira em Tangará da Serra (MT), abrindo as portas do Centro-Oeste.
Daisson virou nômade da estrada, prospectando mercados no calor do agronegócio mato-grossense. Em 2006, chegou a Sorriso para erguer um silo da Cooavil, sob João Carlos Turra, entregue a tempo para a safra 2006/2007. A pontualidade rendeu reputação de excelência e parcerias duradouras. Heloiza, à distância, concluiu mestrado em 2006 e doutorado em 2009. Em 2011, a empresa fixou base em Sorriso; em 2013, explodiu no setor graneleiro.
O ciclo seguinte trouxe a gigante Inpasa. Em 2018, a Engedelta projetou a planta de Sinop (MT), maior unidade do grupo, e seguiu para Nova Mutum (MT), Dourados e Sidrolândia (MS), Balsas (MA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT). “Só com eles, passamos de um milhão de metros quadrados em obras”, calcula Daisson. No mesmo ano, Vitor formou-se na PUC Curitiba, com estágio no Canadá, e ingressou na empresa em 2020, coordenando engenheiros.
Vinicius, aluno da mãe na UTFPR Pato Branco, formou-se em 2021, fez dupla diplomação em Portugal e, desde junho de 2025, cuida do PCP – Planejamento e Controle de Produção. Em 2019, implantaram fábrica de pré-fabricados com tecnologia italiana; em 2024, entraram em estruturas metálicas e abriram novo escritório. Heloiza, após 28 anos na UTFPR, mudou-se para Sorriso em junho de 2025 a pedido do marido: “A hora chegou, preciso de você”.
Hoje, a família reunida opera com metalúrgica própria, atendendo galpões logísticos, plantas industriais e hipermercados. “Tudo em ciclos de dez anos”, diz Daisson. “Crescemos com Sorriso e o agro. É escolha de vida.” Valores como prazos, transparência e empatia guiam o legado: do menino que carregava tijolos ao pai que viaja à China com seu Nelson, entusiasta eterno. Unidos, os Benetti erguem horizontes no coração do Brasil agro.
Na série especial Sorriso 40 anos, acompanhe a linha do tempo a história completa Link: http://fatormt.com.br/linha-do-tempo/435072/quando-a-engenharia-habita-as-veias-de-uma-familia-inteira/13764920